Junho é o mês mais aguardado no Nordeste por conta dos festejos juninos. Porém, este ano o São João em Alagoas ficará restrito a palhoções, apresentações de quadrilhas juninas e bandas locais. Todos os municípios foram orientados a cancelar as grandes festividades por conta da crise econômica.

A primeira a divulgar o cancelamento dos shows e arraiais pela cidade foi Maceió. O prefeito Rui Palmeira disse no final de abril que a situação financeira da capital inviabilizava a realização de uma festa com grande estrutura como em anos anteriores e que o Executivo Municipal optou por arcar com despesas como folha de pagamento e manutenção de obras do que gastar com os festejos.
Um levantamento feito pelo CadaMinuto junto às prefeituras constatou que 80% dos municípios optaram por não realizar eventos ou fazer apenas festejos menores. Outras cidades tradicionais na realização da festa, como São Miguel dos Campos, Coruripe, Roteiro, Pão de Açúcar e Traipu já confirmaram que não irão realizar festejos.
Em nota, a prefeitura de São Miguel dos Campos disse que decidiu cancelar as festas atendendo a orientação do TCE e também por conta dos efeitos da crise econômica e que preferiu manter o calendário de pagamento dos salários dentro do mês trabalhado, além de realizar investimentos na saúde, na educação e na infraestrutura da cidade.
Mesmo com a crise, alguns municípios optaram por não perder a tradição e decidiram fazer uma festa menor. Em Porto Calvo, Igaci, Colônia Leopoldina e Girau do Ponciano confirmaram o festejo. Em Colônia, as comemorações só acontecerão nas vésperas.
De acordo com o coordenador de eventos da Secretaria de Cultura de Girau, José Erasmo, a secretaria está reduzindo custos, mas não vai deixar que a tradição acabe. “A intenção é reduzir para que o São João aconteça, vamos analisar o projeto para saber o que faremos em relação aos gastos, mas tudo garante que será realizado”, comentou.
Para o presidente da Associação dos Municípios Alagoas (AMA), Marcelo Beltrão, o momento vivido pelos municípios é de cautela e que a Associação vem reforçando a recomendação feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) quanto à suspensão de festejos com verbas públicas. Desde o início do ano o órgão vem fiscalizando as prefeituras com relação a gastos e já orientou com relação aos festejos de São João.
“Orientamos que os municípios tenham cautela e avaliem as suas receitas. A maioria das cidades vai apenas realizar festejos menores, apenas para preservar a tradição, mas nossa orientação é que não se façam shows com bandas nacionais. A população tem que entender que o momento é de crise”, avaliou.
Em Brasília participando da Marcha dos Municípios, Marcelo Beltrão comentou que a crise vem afetando diversos setores da economia e agravando outros que perduram há anos, como é o caso da seca.
“Toda essa instabilidade no Governo Federal vem comprometendo o diálogo. As decisões que ocorrem esta semana [sobre o impeachment] se chocaram com a Marcha, mas a previsão é que quando o governo se estabelecer, nós iremos discutir a pauta municipalista. A pauta é nacional, mas a nível local temos os problemas referentes a seca, que também atinge parte de Minas Gerais e outros estados do Nordeste, além de restos a pagar de obras que estão paradas e a liberação de emendas”, completou.